.

[Projeto BLC] Postagem #01


Esta postagem faz parte do Projeto Blogagem Literária Coletiva promovido pelos Blogs Os Literatos, Chá & Livros e Diário de uma Livromaníaca.

Hello Bookworms! Nós do Fofocas Literárias estamos participando de um projeto chamado Blogagem Literária Coletiva, em que diversos temas serão fornecidos de tempos em tempos e todos os blogs participantes farão postagens sobre esse tema determinado. A ideia é divulgar os blogs e as diferentes abordagens de cada tema... E é claro que o Fofocas Literárias não podia ficar de fora.

O primeiro tema é o chamado "Estagiária do John Green", nele devemos escolher uma cena do livro para reescrevê-la, ou acrescentar alguma cena no começo, meio ou fim do livro.

Bom, eu escolhi uma abordagem um pouquinho diferente e resolvi fazer um Epílogo para o livro, passados 5 anos. Espero que vocês gostem e em breve voltaremos com mais postagens do projeto.




Epílogo – A Culpa é das Estrelas


5 anos depois...


Hazel está sentada em um pequeno café próximo à universidade, é o mês de outubro, então o tempo já está bem frio, com o vento do lado de fora balançando as árvores e fazendo traquinagens com os chapéus, lenços e gravatas dos pedestres.

Enquanto esquenta suas mãos em uma xícara de café, ela observa as pessoas na rua. O tempo passou e sua vida mudou muito nos últimos 5 anos, o pós Gus como gostava de chamar. Se formou na faculdade, iniciou seu mestrado e estava trabalhando. Sua família também tinha seguido em frente e depois de tantas provações, estavam todos finalmente bem.

Distraída, Hazel não percebe que está com um leve sorriso no rosto. Quando volta os olhos para o interior do café, repara no jovem sentado na mesa em frente a sua, sorrindo em sua direção.

Ele era bonito de um jeito casual, Hazel havia aprendido com todas as provações de sua vida a apreciar os detalhes e a beleza nas pequenas coisas na vida. Observando-o notou que seus cabelos eram cacheados e loiros, e estavam levemente despenteados, como se o vento os tivesse bagunçado, mas ainda assim o deixando com uma aparência adorável. Seus olhos eram uma mistura de verde e azul, daqueles que mudam conforme a luz do local. Seu rosto era retangular e levemente oval, com um nariz que contava uma história de traquinagem e os lábios que agora sorriam com intensidade para ela, eram cheios, com uma aparência quase feminina.

O café era pequeno, fazendo com que as mesas ficassem bem próximas umas das outras, criando um ambiente mais aconchegante, quase como o de uma casa para as pessoas que o frequentavam. Por isso, sem se levantar, Hazel o olhou novamente, ainda com um sorriso nos lábios e perguntou:

- Espero que esse sorriso não seja por causa de algum bigode de café que eu esteja.

- Claro que não. Se eu disser que estava apreciando a vista você vai dizer que sou um clichê ambulante. Então vou partir para o lado mais poético. – Disse ele rindo. – Estava contemplando a paz e tranquilidade que você estava transmitindo. Daria tudo para estar em seus pensamentos e saber o que a estava fazendo tão feliz.

Hazel se levanta e senta-se à mesa do seu mais novo amigo, afinal, pessoas estranhas são apenas amigos que não fizemos e ela levava esse ditado à risca quando se tratava de conhecer novas pessoas. Finalmente, diz:

- Estava pensando em várias coisas, dificilmente me contento em pensar em apenas uma coisa por vez, a vida é muito curta para sermos mesquinhos com nossos pensamentos. Uma pessoa muito importante pra mim me ensinou que na vida, às vezes precisamos colocar nossos medos e inseguranças entre os dentes e impedir que nos façam mal. Você já ouviu falar na metáfora do cigarro?

- Hmm, confesso que não me lembro de ter ouvido nenhuma metáfora que envolvesse cigarros.

- Bem, eu costumava conhecer um sábio, um jovem sábio, podemos chamá-lo assim. Ele sempre andava com um cigarro entre os dentes, mas nunca o acendia. Um dia eu perguntei a ele o porquê disso e se ele sabia que o cigarro poderia matá-lo. Ele me respondeu: “É uma metáfora, eles não matam se você não acender. Tipo: você coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não dá a ela o poder de completar o serviço.”

- Nossa, esse seu amigo era realmente muito sábio.

Com um sorriso triste Hazel respondeu:

- Ele era mais que um amigo, era um irmão, um mentor, uma alma compatível.

- Eu sinto muito, não sei o que aconteceu com ele, mas sei que é uma pena eu não tê-lo conhecido.

- Não sinta, existem coisas na vida que acontecem por um motivo. Nós vivenciamos exatamente aquilo que precisamos aprender para evoluirmos como pessoas. As coisas e pessoas ao nosso redor fazem parte desse aprendizado por diferentes períodos de tempo. Gus fez parte da minha vida por um curto, porém intenso pedaço de tempo e levarei seus ensinamentos pro resto da minha vida. Hey, falando nisso, já que somos amigos agora, porque você não me fala seu nome.

- Hahaha claro, como pude me esquecer. Você é tão fascinante que perguntar um nome nem me passou pela cabeça. Meu nome é John Carter, mas pode me chamar de Johnny amiga.

- Bom Johnny, meu nome é Hazel Grace e pode me chamar do que você quiser, não tenho apego sentimental a nenhum apelido. AH MEU DEUS!! Eu não acredito nisso?!

Johnny olha espantado para os lados, procurando a fonte de tamanha euforia. Quando percebe que Hazel está olhando para seu exemplar gasto, ainda que bem conservado de Uma Aflição Imperial de Peter Von Houten.

- Você é fã? Perguntou Johnny, apontando para o livro.

- Bem, eu costumava ser fã do autor e do livro, mas hoje em dia sou só fã da obra mesmo.

- Algum motivo especial? Eu confesso que acho a obra incrível, já reli umas cem vezes, mas sempre achei que o autor passava um ar de melancolia que não parecia combinar com alguém que escreve tão bem.

- Se eu te contar que eu o conheci pessoalmente e essa imagem não é apenas uma impressão, mas a realidade, você acreditaria?

- Claro que acreditaria, você me parece capaz de fazer tudo. - Disse sorrindo novamente.

Hazel sorri de volta e responde:

- Olha, eu não sei quanto essa parte de fazer tudo, mas eu sei que quando o conheci, pelo menos pude provar a minha teoria sobre ele.

- Que teoria?

- Que ele é a única pessoa que eu conheço que parece (a) entender o que é estar morrendo e (b) não ter morrido.

- É uma boa teoria, apesar de não saber como isso me faz sentir. Pensar que alguém pode ser tão profundo e ao mesmo tempo tão atormentado. Essa é uma obra daquelas que você lê e relê, que você pega da metade só para entrar no meio de uma cena, que você divaga sobre o futuro das personagens depois da última página, é um daqueles livros que você retira frases e as guarda consigo. Hey, sabe aquela cena em que a Anna..

E foi assim, sentada naquele pequeno café, conversando com Johnny sobre as nuances e perspectivas de Peter Von Houten, em uma bela tarde de outono, que Hazel soube de fato que sempre levaria Gus e suas experiências e ensinamentos consigo, mas que também seguiria em frente e seria feliz todos os dias de sua vida, sendo capaz de sorrir e se entregar para vida quantas vezes tivesse a oportunidade, sabendo que no fim, tudo ficaria bem.
Share on Google Plus

About Juliana

Juliana, 27 anos, bookaholic. Sou apaixonada pelo universo literário, adoro falar sobre livros, trocar indicações, saber das novidades, etc.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

3 comentários :

  1. Oi Gabi!
    A história de Hazel e Gus sempre me emociona, até na sua continuação que ficou ótima!
    Adorei, acho que Jhon Green já pode te contratar hahahahah!
    Super legal a idéia de vcs!

    Bjos!!

    www.leituravipblog.com

    ResponderExcluir
  2. Gabrielle que graça sua continuação...
    Você articula muito bem suas ideias e emoções. Conseguiu traduzi-las perfeitamente em palavras... Simplesmente lindo!
    Um beijo!
    Monika Andreotti
    Blog Os Literatos

    ResponderExcluir
  3. Nossa adorei sua escrita ! Até fiquei com lágrimas nos olhos kk o poder de Hazel e Gus. O projeto também parece ser muito interessante, vou continuar acompanhando !

    Beijos,

    Bia

    Www.nasuaestanteblog.blogspot.com.br

    ResponderExcluir